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La Beauté : "Lisboa menina e moça"

Sujet de discussion : La Beauté : "Lisboa menina e moça"
  • sergeclimax69007 Membre suprême
    sergeclimax69007
    • 13 juin 2013 à 22:33
    Un Fado composé par Ary dos Santos.



    Un classique chanté par tous et toutes les fadistes.



    Une très belle interprétation, après les deux "monstres sacrés" :



    Oui, ce jeune homme avec sa sensibilité me donne des frissons !!!



    No castelo
    Ponho o cotovelo
    Em Alfama
    Descansa o olhar
    E assim desfaz-se o novelo
    De azul e mar
    À ribeira encosto a cabeça
    Almofada
    Na cama do Tejo
    Com lençóis bordados à pressa
    Na cambraia de um beijo

    Lisboa menina moça, menina
    Da luz que meus olhos vêem tão pura
    Teus seios são colinas, varina
    Pregão que me traz a porta, ternura
    Cidade a ponto-luz bordada
    Toalha a beira-mar estendida
    Lisboa menina e moça, amada
    Cidade mulher da minha vida

    No terreiro eu раsso por ti
    Mas da graça eu vejo-te nua
    Quando um pombo te olha, sorri
    És mulher da rua
    E no bairro mais alto do sonho
    Ponho fado que soube inventar
    Aguardente de vida e medronho
    Que me faz cantar

    Lisboa menina e moça, menina
    Da luz que meus olhos vêem tão pura
    Teus seios são colinas, varina
    Pregão que me traz a porta, ternura
    Lisboa do meu amor deitada
    Cidade por minhas mãos despida
    Lisboa menina e moça, amada
    Cidade mulher da minha vida

    Na praça da Figueira
    Ou no jardim da estrela
    Num fogareiro aceso é que ela arde
    Ao canto do outono
    À esquina do inverno
    O homem das castanhas é eterno
    Não tem eira nem beira nem guarida
    E apregoa como um desafio
    É um cartucho pardo a sua vida
    E se não mata a fome mata o frio

    Um carro que se empurra
    Um chapéu esburacado
    No peito uma castanha que não arde
    Cai a chuva nos olhos
    E te um ar cansado
    O homem que apregoa ao fim da tarde
    Ao pé de um candeeiro acaba o dia
    Voz rouca como o trapo da pobreza
    Apregoa pedaços de alegria
    E à noite vai dormir com a tristeza

    Quem quer quentes e boas quentinhas
    A estalarem cinzentas, na brasa?
    Quem quer quentes e boas quentinhas?
    Quem compra leva mais amor pra casa

    A mágoa que transporta
    É miséria ambulante
    Passeia pela cidade o dia inteiro
    É como se empurrasse o outono adiante
    É como se empurrasse o nevoeiro
    Quem sabe a desventura do seu fado?
    Quem olha para o homem das castanhas?
    Nunca ninguém pensou que ali ao lado
    Ardem no fogareiro dores tamanhas


    --- Et l'interprétation du Brésilien Martinho da Vila :



    Que ce texte puisse donner lieu à tant de tendresse, de subtilités, de générosité est l'indice de l'excellence du compositeur, regretté, qu'était Ary dos Santos.
  • asiat68 Membre émérite
    asiat68
    • 13 juin 2013 à 22:59
    J'adore Mariza je crois que même si elle chantait sa liste de courses, j'apprécierais encore !
  • sergeclimax69007 Membre suprême
    sergeclimax69007
    • 14 juin 2013 à 00:00
    Une version de Carlos do Carmo, avec des images de la très belle, l'enchanteresse, la grande Lisbonne.

    Oui, où il y a et de la misère et du ciel.



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    Pour satisfaire un aficionado de Mariza, Asiat68, ce Fado qu'il connaît sans aucun doute, et cette émotion.



    Et ce Fado, celui-là, précisément, ce soir, a été pour Mariza la rencontre la plus passionnée avec le texte de "Gente da minha terra".

    La diva est rentrée au plus loin en elle pour que s'épanouisse le sens des mots ; et ce qu'elle a mis au jour ne pouvait qu'être des pleurs, d'abord.

    C'est un grand événement : au-delà de la vedette Mariza qui toujours séduit, nous avons, oui, une authentique fadiste, une femme qui ne reste pas à la surface spécieuse des mots et qui ne se contente pas de sa voix tellement extraordinaire.

    Elle a rencontré les mots dans leur très grande vérité et, dans cet instant où tout converge, et son, et sens, et écoute du public, et Mariza qui fait un spectacle, il y a eu cette révélation-là. Pour elle et pour nous.

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